Geral Viver a 3.000 metros de altitude com vista para um vulcão? Nesta casa Construída nos Andes equatorianos, a La Miradora ergue-se num planalto onde o vulcão domina toda a linha do horizonte. 16 jun 2026 min de leitura Os imponentes vulcões que guardam o vale de Machachi, no Equador, são bem mais do que simples formações geológicas: são entidades vivas, que amam, sofrem e guardam segredos profundos. Uma das lendas locais mais cativantes conta um antigo drama amoroso entre estes cumes: diz-se que o vulcão Cotopaxi se intrometeu no casamento dos Ilinizas. Quando o vulcão Rumiñahui descobriu o caso, a notícia partiu o coração ao monte Corazón, filho dos Ilinizas, que de tanto chorar pela separação dos pais, fez surgir lagoas na região com as suas lágrimas. Desde então, o Cotopaxi costuma esconder-se atrás de um espesso manto de nuvens, envergonhado por ter quebrado a harmonia desta família de montanhas. É precisamente esta paisagem, carregada de mitologia e de uma beleza arrebatadora, que serve de tela à casa La Miradora, um recente projeto residencial desenhado pelo atelier de arquitetura Taller General para contemplar estes gigantes de pedra. JAG Studio Num cenário de lenda Localizada nas terras altas centrais do Equador, a 3.400 metros de altitude, esta casa de 300 metros quadrados (m2) faz jus ao nome. Implantada no ponto mais alto deste terreno, o seu desenho procura estabelecer um diálogo visual com a envolvente. "A La Miradora é uma casa que emerge entre vulcões. Quisemos olhar para a paisagem em redor, que inclui ravinas, prados e vulcões, a partir de todas as divisões", explica o atelier. JAG Studio Para conseguir esta imersão total na paisagem, a arquitetura aposta numa volumetria engenhosa. A estrutura retangular conjuga uma tradicional cobertura em duas águas com um sistema em "A", em que as paredes longitudinais em vidro se abrem em leque. Este esqueleto é sustentado por dez grandes vigas de madeira maciça dispostas em módulos de 2,5 metros, criando longas galerias por baixo dos beirados salientes. As peças destas galerias convergem para o topo, oferecendo assim uma maior proteção climática ao segundo piso. JAG Studio Um desenho responsável e adaptado ao terreno O desenho ajusta-se de forma orgânica à topografia. No lado norte, a estrutura assenta sobre um embasamento em tijolo, dando origem a um piso semienterrado que acolhe a garagem, as casas de banho e dois quartos que podem ser preparados para receber convidados, virados para uma grande parede envidraçada a poente. Já do lado sul, as vigas transformam-se em elementos metálicos cravados no chão, afastados da fachada exterior para dar lugar a uma rampa. Esta passagem coberta gera uma transição fluída entre o interior e o exterior, convidando a passear e a apreciar as vistas. JAG Studio A vida principal da casa desenrola-se no piso superior, pensado em planta aberta, integrando a cozinha, a sala de estar e a sala de jantar, além de uma suíte delimitada por uma sólida parede de tijolo. A quebrar a horizontalidade da cobertura inclinada, surge uma torre vertical, à qual se acede por uma escada em caracol em metal preto. Este espaço, em registo de loft, funciona como um miradouro privilegiado, dirigindo o olhar para norte e abrindo-se a uma panorâmica ainda mais ampla. A casa respeita o meio natural. A paleta de cores combina com a madeira à vista, metal, cerâmica e alvenaria de tijolo, materiais em bruto escolhidos pela boa resposta ao clima local. O atelier sublinha que foram aplicados de forma minuciosa para evitar acabamentos adicionais e reduzir os resíduos de obra. JAG Studio A integração de painéis solares e de um sistema de purificação de água reforça esta visão: "A proposta corresponde àquilo que, na nossa opinião, deve ser uma arquitetura responsável", conclui o atelier. Fonte: Casa no Equador situa-se 3.000 metros de altitude com vista para o vulcão — idealista/news Geral Partilhar artigo FacebookXPinterestWhatsAppCopiar link Link copiado