Geral Este refúgio familiar desafiou a natureza e parece levitar na paisagem Pensada para escapar ao mundo, a Caju House ergue‑se num terreno rochoso e arborizado, com vistas para o vale do rio Snake, EUA. 12 jun 2026 min de leitura A arquitetura do nosso tempo combina, mais do que nunca, materiais naturais e industriais para conseguir texturas e uma estética mais apelativa. A madeira traz calor, textura e ligação à paisagem, enquanto o aço, o betão ou o vidro garantem resistência, precisão e uma imagem mais forte e contundente. Quando estes dois mundos se equilibram, o resultado pode ser uma casa sóbria, duradoura e profundamente ligada ao lugar onde se insere. É exatamente assim que se apresenta a Caju House, uma casa de férias situada perto da estância de esqui Jackson Hole Mountain Resort, em Teton Village, no estado de Wyoming, nos Estados Unidos da América (EUA) Matthew Millman Viver com o essencial Desenhada pelo atelier CLB Architects, no Wyoming, a Caju House foi pensada para uma jovem família de Miami que procurava um refúgio tranquilo, imerso na natureza e longe de qualquer exagero formal. A casa ergue‑se numa das últimas parcelas ainda por urbanizar em Teton Village, um terreno inclinado, rochoso e arborizado, com vista para o vale do rio Snake e para as montanhas. O projeto tinha de se adaptar com cuidado a essa topografia, sem ferir nem descaracterizar a paisagem. Matthew Millman “Com raízes no Brasil e um profundo apreço pela natureza, imaginaram uma casa íntima e acolhedora, onde a família e os convidados ocasionais pudessem estar juntos e desligar do mundo. O pedido sublinhava uma vida simples – uma casa pensada para o essencial, e não para o excesso – assente na praticidade e em materiais naturais”, explica o estúdio. A casa organiza‑se em dois volumes que formam uma planta em L. Um deles, mais longo e com dois pisos, é coberto por um telhado de duas águas, o outro, mais curto e de apenas um piso, encaixa na encosta com uma cobertura plana e fica parcialmente elevado sobre pilares. “O terreno, densamente arborizado e pontuado por rochas, exigia uma abordagem de desenho sensível, que minimizasse o abate de árvores e a alteração do solo. A estrutura resultante está, ao mesmo tempo, integrada na paisagem e a ‘flutuar’ sobre a mesma”, acrescentam. Matthew Millman Aço Corten, alperce e betão para envelhecer com elegância O exterior da casa é revestido com aço resistente às intempéries, num tom alaranjado que remete para o caju, fruto que acaba por dar nome à habitação. Este material industrial combina com a madeira de alperce nas zonas recuadas, criando contraste e sublinhando o carácter escultórico do conjunto. “A materialidade é o núcleo da identidade do projeto, com uma paleta limitada ao aço, à madeira e ao betão. Estes materiais duradouros e simples foram escolhidos pela sua capacidade de envelhecer com elegância e pela sua beleza inerente”, explica o atelier. Matthew Millman O interior soma 302 metros quadrados (m2) e mantém a mesma lógica de materiais. O alerce prolonga‑se pelas paredes, tetos e mobiliário embutido, criando uma atmosfera quente e coesa. A essa base natural juntam‑se pavimentos em betão e detalhes em aço inoxidável, que dão um toque mais preciso e contemporâneo. No piso inferior ficam a garagem, o átrio de entrada, a lavandaria e o ginásio, enquanto o piso superior concentra os espaços principais para tirar melhor partido das vistas. Aí encontram‑se a zona social, a suíte principal e mais três quartos. Matthew Millman Uma escada envolvida em aço inoxidável perfurado liga os dois pisos e deixa a luz atravessar a sua estrutura. No exterior, varandas e terraços reforçam a relação com o bosque. Há até uma plataforma metálica perfurada para permitir que dois álamos existentes continuem a crescer – uma decisão que resume o espírito do projeto: construir sem apagar a paisagem. Fonte: Refúgio familiar em tons de caju nos EUA parece levitar com a paisagem — idealista/news Geral Partilhar artigo FacebookXPinterestWhatsAppCopiar link Link copiado