Geral Os interiores tornaram-se uma forma de autoexpressão Individualidade e sustentabilidade são as grandes tendências na decoração, diz em entrevista a diretora de interiores da Catawiki. 16 mar 2026 min de leitura Ao olharmos para a fita do tempo, é notória a evolução da forma como se definem e enchem (mais ou menos) os espaços, reflexo das alterações no comportamento humano e daquilo a que é dado valor em cada momento. Em entrevista ao idealista/news, a diretora de Interiores da Catawiki, Anna Denise Floor, trouxe argumentos que o comprovam, nomeadamente a propósito das tendências de decoração que, com inspiração no passado e olhar no futuro, vão hoje no sentido de dar uma identidade própria a cada casa. "Os interiores tornaram-se uma forma de autoexpressão, em vez de apenas decoração”, confirma e explica porquê. Dando nota de que o público atual “procura peças com carácter, história e identidade”, a especialista revela que “o design único, a produção limitada e o artesanato são muito mais importantes”. E no que respeita aos jovens, além de peças raras e funcionais, mostram "cada vez maior interesse em antiguidades, motivados sobretudo pela sustentabilidade e individualidade de objetos únicos, históricos e feitos à mão", detalha. Muito deste conhecimento partilhado por Anna Denise Floor, como porta-voz da Catawiki, resulta da experiência adquirida pela plataforma de leilões online, nos seus 18 anos de existência. Com sede em Amesterdão e operação atualmente em 60 países, entre os quais Portugal, a atividade desta intermediária internacional de objetos especiais tem vindo a ser marcada por mudanças nos padrões de consumo, ao longo dos anos. E que servem para marcar o pulso do mercado, identificando rumos, nomeadamente no que toca a design de interiores e decoração. Também quisemos saber mais sobre como funciona este marketplace que realiza mais de 600 leilões por semana, em diversas categorias - desde colecionáveis a arte, design, joalharia, relógios, carros clássicos e muito mais -, bem como qual tem sido a adesão do público português a este tipo de comércio. E aqui estão as respostas. Funcional, mas acima de tudo com personalidade: o que mudou no design de interiores? O adeus aos ambientes sem personalidade e o abraço às combinações entre épocas Quais são as atuais tendências de decoração, em termos de estilo e cor? Peças raras: Mais do que o preço, a importância está no valor que carregam Qual o artigo mais raro de interiores que já foi vendido na plataforma? Dentro da Catawiki: como funciona o processo de validação e autenticidade O que leva uma peça a ser rejeitada? Política de segurança e apoio ao cliente: Catawiki é intermediária Ora, mas e quando há problemas no transporte? Portugal é um dos mercados com crescimento mais rápido da Catawiki Funcional, mas acima de tudo com personalidade: o que mudou no design de interiores? A pandemia atirou-nos para casa e é de lá que muitos portugueses ainda hoje trabalham num regime híbrido ou de teletrabalho a tempo inteiro. Aquele que era o espaço onde retornávamos ao fim do dia, transformou-se no lugar onde começámos a passar a maior parte do tempo. Como resultado, os olhos ganharam tempo de sobra para analisar com pormenor as divisões em volta e o conforto passou a exigir que a decoração traduzisse a personalidade e estilo individual de quem lá habita, aponta Anna Denise Floor. A análise da especialista parte de informação extraída da atividade do próprio marketplace. Ao operar num ambiente de leilões em tempo real, a Catawiki consegue ter uma visão imediata sobre quais as estéticas, designers e categorias que mais agradam aos consumidores. “O objetivo da procura passou de ser ‘preencher um espaço’ para ‘definir um espaço’” Art Deco Vaso Catawiki Na prática, contrariamente aos compradores do passado – que punham o foco na praticidade e no preço –, o público atual tem abordagem mais emocional e expressiva, que atira o minimalismo para fora de moda e procura um estilo próprio de fusão, eclético e sustentável, revela a porta-voz, que coordena uma equipa com mais de 45 especialistas. Mas não foi só uma pandemia que se atravessou pelo meio e deixou marcas nos hábitos de consumo. Já antes de 2019 as mudanças ganhavam novos fôlegos, com as redes sociais também a dominarem tendências e influenciarem as apostas na decoração. O adeus aos ambientes sem personalidade e o abraço às combinações entre épocas Por tópicos, a especialista enumerou as principais mudanças na decoração de interiores, tendo todas um pé no passado e outro no presente. E que se esqueça a ideia de que os consumidores jovens são imunes a elas. Rejeição das “catalogue homes”: Quer-se distância dos ambientes a condizer com uma estética perfeita; Combinação entre épocas, estilos e preços: No seguimento do ponto anterior, hoje em dia, os compradores misturam peças contemporâneas com peças vintage marcantes. Inclusive, quando selecionam leilões e coleções especiais, a Catawiki faz questão de demonstrar por exemplo, como um candeeiro post-modern pode dinamizar um espaço minimalista ou como uma peça de cerâmica antiga pode adicionar profundidade a um interior contemporâneo. Algo apreciado pelos consumidores, isto porque, segundo a porta-voz, estes procuram dicas e inspirações sobre como combinar peças vintage, antigas e mais recentes num espaço coerente, mas profundamente pessoal. Pessoas investem em objetos que se destacam: A diretora do segmento de interiores destacou ainda que há uma procura crescente por iluminação ousada, objetos esculturais, obras de arte de grandes dimensões e design colecionável. “São itens que estimulam a conversa e permitem que os compradores expressem a sua personalidade e estilo individual em casa”, explicou. Privilegia-se a sustentabilidade: Segundo Anna, os compradores têm feito cada vez mais escolhas conscientes, também atraídos pela qualidade da produção de muitas das peças mais antigas. “Para muitos, o usado não é uma segunda opção, é uma escolha mais inteligente”, sublinhou. A especialista afirmou ainda que se tem registado um aumento no número de compradores jovens com interesse em antiguidades, motivados sobretudo pela sustentabilidade e individualidade de objetos únicos, históricos e feitos à mão. Peças raras são também peças funcionais: “Um vaso de cerâmica raro, um candeeiro de um designer de renome ou um espelho de edição limitada podem ser tanto funcionais como merecedores do investimento”, referiu. Quais são as atuais tendências de decoração, em termos de estilo e cor? Dopamine decorationsCatawiki Há que tratar as coisas pelos nomes e, por isso, quando questionada sobre os estilos que estão a dominar atualmente a decoração, a responsável apontou para várias direções, mas com um denominador comum: Estilo cottage/Materiais naturais: Assiste-se a um interesse contínuo por objetos rústicos e artesanais feitos de madeira, cerâmica e têxteis tradicionais, ligados à estética interior, histórica e vivida. Dopamine decorations: Ao mesmo tempo, o movimento “dopamine decorations” (decoração dopamina) tem vindo a criar raízes, onde se adorna o interior com cores ousadas, formas divertidas e design expressivo para despertar alegria. Em declarações, Floor dá conta que esta tendência se traduz frequentemente em peças vintage marcantes, peças de cerâmica coloridas, objetos marcantes de meados do século e combinações excêntricas que refletem personalidade e otimismo. Art Déco: 2025 marcou o centenário da Art Déco, com um aumento da procura por peças mais antigas (anteriores a 1925), especialmente por artigos em vidro, bronze e cerâmicas francesas. Estilo Regency e inspirações: O encanto do estilo Regency, Regency Modern e Hollywood Regency continua a ser uma forte tendência, apoiado sobretudo pelos media e pelos dramas de época que valorizam os interiores elegantes e decorativos. Peças raras: Mais do que o preço, a importância está no valor que carregam Parece clichê, mas o que é certo é que peças raras não se encontram ao virar da esquina, o que lhes garante um carácter distinto. Nos leilões da Catawiki, esses objetos emergem, como se fossem peças antigas que se julgavam perdidas e nunca mais possíveis de adquirir. Mas a importância do objeto não se prende com o preço que lhe está atribuído fruto da sua raridade, mas sim com o seu significado e capacidade de transformar um espaço. “Quando um objeto é raro, tem uma história ou está ligado a um designer específico, período ou produção limitada, as pessoas interagem com ele de forma diferente”, refere Anna Denise Floor, remetendo também para uma dimensão psicológica. Além disso, “podem definir o tom de uma divisão. Criam contraste, tensão e personalidade”, enfatizou, precisando que: “um candeeiro escultural, uma cerâmica ousada, uma cadeira de design vintage ou uma grande obra de arte podem marcar um espaço e criar uma narrativa. Isso transmite intenções, mostra que o espaço foi cuidadosamente pensado, em vez de simplesmente montado”. Qual o artigo mais raro de interiores que já foi vendido na plataforma? Tiffany Studios, Floor Lamp, “Oriental Poppy” (Papoila Oriental)Catawiki Não é uma pergunta de resposta fácil e a especialista confessou-o. Não por causa do preço, mas porque lidam “com tantos objetos com origem e design excecionais”, explicou. E isto ao longo de um acumular de anos. Ainda assim arriscou-se a nomear alguns, nomeadamente, o candeeiro original da Tiffany Studios, “Oriental Poppy” (Papoila Oriental), vendido em 2024. “Os exemplares autênticos e em bom estado são extremamente raros. Os nossos especialistas realizaram uma extensa pesquisa e autenticação, incluindo uma inspeção presencial, antes de o levar a leilão”, contou. Mas, “o que tornou esta uma das nossas vendas mais românticas foi o facto de ter sido comprada na Tiffany & Co, em Nova Iorque. Foi muito especial enviar esta peça de volta a casa" depois de tantos anos. Uma peça de design americano tão icónica que encontrou o seu caminho de volta através do Atlântico”, partilhou Anna Denise. Dentro da Catawiki: como funciona o processo de validação e autenticidade Dopamine decorationsCatawiki Tínhamos muito para perguntar sobre este universo dos leilões, e a diretora de Interiores na Catawiki, tinha muito para dizer. De ouvidos atentos escutámos o que contou sobre a venda do “Oriental Poppy”, que por si só já levantava o véu sobre a forma como avaliam, validam e confirmam a originalidade de cada peça antes de ser colocada em leilão. De acordo com a porta-voz, a plataforma online líder em objetos especiais, conta com uma equipa de especialistas, cada um nas suas respetivas categorias – desde design e arte, a relógios, joalharia, interiores, etc. Cabe-lhes a eles o dever de fazer uma revisão do produto que inclui uma avaliação estruturada das condições, proveniência, raridade e valor de mercado estimado. Para itens de maior valor, o processo é ainda mais rigoroso. Dependendo da categoria, isso pode incluir verificações adicionais de documentação, solicitações de certificados ou consultas a grupos de trabalho especializados. Os critérios são de tal forma levados a sério que vários são os objetos que batem na trave. “Todos os anos recusamos mais de um milhão de submissões, mantendo o padrão de oferta altamente seletivo”, vinca a especialista, esclarecendo que a Catawiki não abre mão da qualidade e confiança, em detrimento do volume. Só em 2024 as rejeições de objetos por motivos relacionados com autenticidade, representou um valor estimado de aproximadamente 10 milhões de euros, fez saber. O que leva uma peça a ser rejeitada? Segundo a porta-voz, “todos são bem-vindos a criar uma conta e submeter objetos para leilão na Catawiki”. Inclusive, adianta que o mercado online acolhe tanto particulares que oferecem itens ocasionais, como profissionais ou empresas que vendem regularmente através da plataforma. No entanto, não são todos os objetos que são igualmente bem-vindos, especialmente porque há requisitos que podem por um travão à venda. É, assim, dada atenção a: Qualidade e estado - Os itens que estejam muito danificados, incompletos, excessivamente gastos ou que não sejam considerados adequados para leilão podem ser recusados; Questões de autenticidade - Se os especialistas suspeitarem que um artigo possa ser falso, ele não será aceite; Floor destacou que apenas 0,02% dos objetos vendidos foram posteriormente cancelados e reembolsados devido a questões de autenticidade. “Este é um número que reflete a solidez do nosso processo de revisão inicial”, comentou. Informações incompletas ou imprecisas - As submissões com detalhes insuficientes ou com imagens de má qualidade podem ser devolvidas ou rejeitadas até que sejam esclarecidas. Restrições legais e de conformidade - A conformidade com as leis locais e internacionais é "inegociável", reitera. Adaptabilidade ao mercado - A Catawiki foca-se em “objetos especiais”, itens com interesse para colecionadores, raros ou distintos. Política de segurança e apoio ao cliente: Catawiki é intermediária Estilo Cottage CoreCatawiki São objetos raros e distintos que estão em cima da mesa. Cientes disso, Anna Denise enfatiza que a Catawiki fornece uma estrutura segura, além de atuar como intermediária durante todo o processo. Como? Tanto quanto detalhou, depois do objeto ser aprovado, anunciado e vendido na plataforma, o vendedor é responsável pela embalagem e organização do envio, sendo que os custos, explicitamente indicados antes da licitação ser feita, são assumidos pelo comprador. Durante esse processo, a Catawiki retém o pagamento até o comprador confirmar que o artigo foi recebido em condições satisfatórias e mantém o apoio pós-transação. Ora, mas e quando há problemas no transporte? Se surgir algum problema durante o transporte, como danos, discrepâncias ou não entrega, a diretora de interiores da plataforma esclarece que a equipa de Apoio ao Cliente intervém para intermediar e ajudar a encontrar uma solução. “Dependendo das circunstâncias, a resolução pode incluir um reembolso parcial ou total, ou outra solução acordada. Nos casos em que foi utilizado um envio seguro, as reclamações também podem envolver a transportadora”, esclarece. “O ponto principal é que os compradores têm um apoio e acompanhamento, sem a necessidade de resolverem estas situações sozinhos”. Portugal é um dos mercados com crescimento mais rápido da Catawiki Os dados são recentes, remontam ao ano passado, e dizem-nos que em 2025 foram adquiridos por compradores portugueses mais de 150 mil objetos, o que representa um aumento de 25% comparativamente a 2024. Anna Dennise dá conta que não é só o número de objetos vendidos que continuam a sua trajetória de crescimento, mas também o número de licitantes portugueses. “Embora mercados maiores, como Itália e Alemanha, gerem naturalmente volumes globais mais elevados devido à dimensão da população, Portugal destaca-se pela sua rápida adesão e pelo forte envolvimento aos leilões online”, rematou. Acompanha toda a informação imobiliária e os relatórios de dados mais atuais nas nossas newsletters diária e semanal. Também podes acompanhar o mercado imobiliário de luxo com a nossa newsletter mensal de luxo. Fonte: Atuais tendências de decoração: o valor da identidade — idealista/news Geral Partilhar artigo FacebookXPinterestWhatsAppCopiar link Link copiado