Geral Casa de campo na Índia renasce à volta de um fosso medieval Em Muchintal, nos arredores de Hyderabad, a casa Antriya ergue‑se num terreno de 4.000 m2 protegida por um fosso que afasta serpentes e fauna selvagem. 07 mai 2026 min de leitura Todas as quintas-feiras o idealista/news leva-te a descobrir mais uma casa de sonho, daquelas que misturam antiguidade e um toque contemporâneo. Desta vez o destino foi Muchintal, nos arredores de Hyderabad, na Índia, onde o conceito medieval ganha uma nova vida no século XXI. Durante séculos, os fossos foram sinónimo de proteção, criando fronteiras claras entre o interior seguro e o mundo lá fora. Na Antriya, essa lógica defensiva é reinterpretada: uma casa envolvida por um anel perimetral que faz lembrar os antigos sistemas de defesa, mas agora colocado ao serviço do conforto, da privacidade e da forma como o espaço é vivido no dia a dia. Shamanth Patil A propriedade está assente num terreno de 4.000 metros quadrados (m2) e foi pensada como refúgio de fim de semana para uma família alargada. A habitação ocupa cerca de 1.350 m2, num projeto que procura integrar paisagem, arquitetura e proteção. Em vez de recorrer a muros opacos ou vedações metálicas, o atelier responsável pelo projeto, 23 Degrees Design Shift, optou por escavar um canal contínuo em torno do volume principal. Este “fosso” contemporâneo não é apenas um gesto estético: responde a uma necessidade muito concreta – impedir a entrada de serpentes e de outra fauna selvagem típica da zona rural de Telangana. Shamanth Patil Dentro desse perímetro de proteção ergue‑se uma casa de dois pisos, organizada à volta de três grandes muros de arenito khammam, uma pedra local de tonalidade quente que define tanto a estrutura como a própria sensação espacial. Segundo o estúdio, “toda a casa foi desenhada utilizando três muros de pedra lineares, que oferecem uma sensação de orientação, privacidade e conforto graças à sua escala relativa”. O primeiro destes muros acompanha as principais zonas comuns. No rés do chão, delimita uma ampla área de estar aberta, que funciona como varanda sombreada e espaço de conversa ao ar livre. Sobre esta, encontra‑se uma segunda zona de descanso e a suíte principal, ligadas por uma escultural escada em caracol que reforça a verticalidade do conjunto. O segundo muro atravessa a casa no sentido longitudinal e separa as áreas comuns – cozinha, sala de jantar e sala de estar – dos quatro quartos em suite situados no piso térreo. Este gesto cria privacidade sem recorrer a uma compartimentação excessiva. Já o terceiro muro projeta‑se para o exterior e estrutura uma zona de apoio à piscina, estendendo a lógica arquitetónica para além do volume principal. Shamanth Patil A proteção não fica apenas à responsabilidade do fosso. Grandes lajes em consola, com entre 2,5 e 3 metros de profundidade, envolvem todo o perímetro da casa e criam generosas zonas de sombra. Estes beirais ajudam a reduzir a temperatura num clima quente e seco, recorrendo a estratégias passivas típicas da arquitetura tropical contemporânea, que evitam o sobreaquecimento sem depender apenas de ar condicionado. Shamanth Patil O interior da Antriya afasta‑se, de propósito, do registo polido típico das casas de luxo em contexto urbano. O atelier explica que, “tendo vivido toda a vida em residências urbanas sofisticadas, esta casa de fim de semana é pensada como um espaço que aproxima o utilizador o mais possível de uma forma autêntica, genuína e menos ‘processada’ dos materiais”. As paredes e os tetos são revestidos com um reboco à base de cal, enquanto os pavimentos são feitos com ardósia Markapur, uma pedra local “que oferece uma superfície lisa, mas ligeiramente ondulada, o que convida os moradores a andar descalços”, explicam os arquitetos. Esta aposta na experiência sensorial transforma a casa num espaço profundamente táctil, pensado para ser percorrido e vivido com calma. O mobiliário recorre a madeira com bordos irregulares, fibras naturais e detalhes metálicos em negro, que fazem contraste com a pedra e o estuque. O resultado é uma estética sóbria, mas muito marcada, em que cada material mostra aquilo que é, sem artifícios. Shamanth Patil A envolvente paisagística, desenhada pelo Kiasma Studio, reforça ainda mais essa ligação ao lugar. Grandes áreas de prado são pontuadas por arbustos e uma pequena vinha, enquanto uma faixa densa de árvores protege os limites do terreno e garante privacidade. Para completar o cenário, o projeto inclui ainda um campo de críquete e uma pista em terra batida para veículos todo‑o‑terreno, apresentando o lado lúdico e descontraído deste refúgio rural na Índia. Fonte: Entre um fosso medieval e fauna selvagem renasce uma casa de campo na Índia — idealista/news Geral Partilhar artigo FacebookXPinterestWhatsAppCopiar link Link copiado