Geral Casa de betão no México protege-se do exterior através de muros curvos A Casa Tao, situada na costa do Oceano Pacífico, usa betão à vista, pátios encadeados e muros curvos para criar um refúgio introspectivo. 01 jan 1900 min de leitura As casas de betão têm sido, ao longo de décadas, um verdadeiro laboratório para explorar a relação entre matéria, luz e espaço. Quando o betão fica à vista, sem revestimentos, revela‑se a sua textura, o seu peso e a forma como consegue moldar a atmosfera interior. O século XX (e o XXI) foi o grande momento do betão, usado não só como estrutura, mas também como linguagem arquitetónica, capaz de transmitir permanência, silêncio e sensação de refúgio. E, em climas quentes, a sua inércia térmica e a capacidade de criar sombras profundas fazem dele um aliado perfeito contra o calor. É na costa do Pacífico mexicano que se ergue a Casa Tao, uma moradia de 472 metros quadrados (m2) em Puerto Vallarta, no México, pensada como um espaço introspectivo que se protege do exterior através de muros curvos e pátios encadeados. Gustavo Quiroz Uma casa nascida da memória A génese da Casa Tao não parte de uma imagem formal, mas sim de conversas com os proprietários, como resume o atelier autor do projeto, a HW Studio. Ao longo do processo de desenho, os clientes foram recuperando memórias de infância e daquela sensação de refúgio que as casas tradicionais ofereciam contra o sol intenso da costa. Gustavo Quiroz Para o atelier, “algumas casas não se desenham, recordam‑se. A Casa Tao não nasceu de um desenho técnico, mas da memória silenciosa de quem a habita”. O resultado é uma casa que não procura responder a uma imagem, mas sim a uma vida. Ou melhor: a uma certa forma de viver. Esta sensibilidade é também influenciada pela cultura japonesa. Antes de arrancar com o projeto, os proprietários viajaram ao Japão e criaram uma afinidade especial com a “estética do vazio, a limpeza compositiva e a quietude contida em cada gesto arquitetónico”. César Belio O estúdio decidiu então criar uma casa onde o tempo parece abrandar e a luz se vai filtrando suavemente pelos vários espaços. Em vez de se orientar para uma vista específica, a casa é colocada na diagonal em relação ao lote, voltada para uma praça arborizada ali perto. Este gesto permite apanhar a brisa do mar sem ficar exposta diretamente ao sol do Pacífico. “Esta estratégia permitiu‑nos elevar a vida social acima do nível da rua, envolvê‑la em ar e abri‑la para as árvores e para a brisa salgada que atravessa a praça”, explica o estúdio. Uma vida interior em suspensão A casa organiza‑se a partir de uma grande parede de betão em forma semi‑elíptica, que protege a habitação do exterior. Este muro define uma série de pátios e vazios que estruturam toda a experiência espacial. Gustavo Quiroz No piso térreo ficam os quartos, a garagem e as zonas de serviço, todos eles organizados em torno de um pátio central. Junto à garagem surge um segundo pátio, com um pequeno espelho de água que introduz uma nota de calma no interior da casa. As áreas comuns, por sua vez, elevam‑se a um nível superior, inseridas num volume de dupla altura com mezzaninos. Esta “caixa” interior está quase totalmente isolada da rua. Apenas uma janela quadrada, situada ao nível do trifório, estabelece uma ligação visual com os pátios interiores. O primeiro nível acolhe a sala de estar e a sala de jantar, enquanto o nível superior recebe um escritório iluminado por claraboias. Esta organização procura que o dia a dia decorra numa atmosfera tranquila e protegida. O betão moldado assume o papel de protagonista absoluto do projeto. Segundo o atelier, o material “absorve a luz com delicadeza”, permitindo que a iluminação natural deslize suavemente sobre as superfícies. Hugo Tirso A composição espacial inspira‑se também no ensaio "O elogio da sombra", do escritor japonês Jun’ichirō Tanizaki, que reflete sobre a importância da penumbra na arquitetura tradicional japonesa. Assim, as sombras profundas e os pátios encadeados criam uma sequência de espaços contemplativos. No interior, “tudo está disposto para que a vida aconteça de forma mais lenta e plena, mais aberta ao invisível. É uma casa que se retira discretamente e oferece os seus espaços como atmosferas para a contemplação e a memória”, conclui o estúdio. Fonte: Casa de betão no México protege-se do exterior através de muros curvos — idealista/news Geral Partilhar artigo FacebookXPinterestWhatsAppCopiar link Link copiado