simetria foi, ao longo da história, um dos princípios centrais da arquitetura. Dos templos clássicos ao Renascimento, do barroco ao neoclássico e até às casas de hoje, organizar os espaços à volta de um eixo central traz equilíbrio, legibilidade e uma sensação de harmonia quase instintiva.
Antiga adega em ruínas
Atelier Matteo Arnone
É precisamente essa lógica que orienta o projeto Casa para dois músicos, situado na paisagem rural de Carnota, perto de Lisboa

Aqui, as ruínas de uma antiga adega são transformadas num exercício arquitetónico em que a simetria não só estrutura o espaço, como responde de forma direta às necessidades de quem ali vive.
Antiga adega em ruínas
Federico Cairoli
Um desenho em espelho
A origem do projeto passou por criar uma casa que integrasse dois estúdios de gravação idênticos. Esta condição levou o Atelier Matteo Arnone a pensar, desde o início, numa solução totalmente simétrica, onde cada elemento encontra o seu “duplo” no lado oposto.
Segundo o atelier, “o pedido dos clientes era muito simples: dois espaços funcionais – uma sala e um quarto – e dois estúdios de gravação iguais. Isso sugeriu‑nos imediatamente uma abordagem simétrica para o projeto”.
Antiga adega em ruínas
Federico Cairoli
A casa assenta na pegada de uma antiga adega de tijolo em ruínas, situada na transição entre as vinhas e uma zona de bosque. Partindo desse volume original, o projeto introduz uma série de vazios estratégicos sob a forma de pátios interiores, que trazem luz natural e aumentam a profundidade espacial.
“Desde o início, a ideia principal foi criar vazios que funcionassem como se ‘esculpissem’ esse volume existente, abrindo pátios interiores para trazer luz natural e uma sensação de profundidade que servisse os dois espaços idênticos”, explica o atelier.
O resultado é uma planta perfeitamente equilibrada, em que duas áreas de estar – sala e quarto – se situam no piso térreo e se abrem para pátios em extremos opostos, através de grandes portas de correr em vidro.
Antiga adega em ruínas
Federico Cairoli
Arquitetura minimalista
O coração do projeto está, porém, no piso superior, onde se localizam os dois estúdios de gravação. Estes espaços foram desenhados como volumes semicirculares colocados costas com costas, dispostos de cada lado de um pátio central quadrado, para o qual se abrem através de janelas redondas.
Estes volumes avançam sobre as divisões inferiores, ganhando uma presença quase escultórica que introduz uma “subtil curiosidade” no espaço. 
As suas superfícies curvas, acabadas em reboco claro, dialogam com as formas dos pátios, criando uma continuidade visual que percorre todo o conjunto.
Antiga adega em ruínas
Federico Cairoli
Para preservar a pureza do desenho, um grosso muro perimetral envolve a casa e “esconde” no seu interior os elementos funcionais: escadas, casas de banho, arrumos e até parte do mobiliário.
“Esta opção garante uma estética minimalista e arrumada, otimizando a organização global da construção. Dá total liberdade aos dois espaços simétricos, permitindo que a arquitetura se mantenha pura e equilibrada”, explica o estúdio.
Antiga adega em ruínas
Federico Cairoli
Voltada para o exterior, a casa abre‑se a sul com uma piscina comprida, ladeada por terraços em madeira. A partir daqui, alguns degraus em pedra conduzem a um jardim elevado, de onde se desfruta a vista do relevo suave e dos vinhedos que moldam a paisagem envolvente.
Antiga adega em ruínas

Fonte; Adega em ruínas dá lugar a casa de design simétrico perto de Lisboa — idealista/news
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